Acessibilidade no Turismo Brasileiro para Pessoas com Deficiência

Man climbs CN Tower steps in wheelchair

Escrito por Ricardo Shimosakai

5 de julho de 2021

Acessibilidade no Turismo Brasileiro. O Turismo brasileiro, ainda que amador em alguns aspectos, necessita da busca pela responsabilidade social contínua. Você sabia que o direito da inclusão de pessoas com deficiência em atividades turísticas está previsto no Estatuto da Pessoa com Deficiência?

De acordo com o Art 8° da lei n° 13.146 de 6 de julho de 2015 (Brasil, 2018), é dever do Estado, da sociedade e da família assegurar à pessoa com deficiência, com prioridade, à cultura, ao desporto, ao turismo, ao lazer, entre outros decorrentes da Constituição Federal, da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência que garantam seu bem-estar pessoal, social e econômico.

Hoje, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 6,2% da população brasileira possui algum tipo de deficiência ou desabilidade. Ainda assim, há falta de iniciativas voltadas para essa parcela da população em nosso país. Com os anos PcD’s vem ganhando visibilidade através de iniciativas e lutas ativistas, mas ainda há muito a fazer.

Já na atividade turística existem programas que visam a inclusão e a segurança desse grupo social

Para que possamos trazer uma introdução ao tema da acessibilidade no turismo brasileiro, nós trouxemos uma das melhores referências para a abordagem desse assunto no Brasil.

ESPECIALISTA

Ricardo Shimosakai

Ricardo Shimosakai trabalha com lazer e turismo centrado em pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. Sua carreira nesta área iniciou a partir de um incidente depois de retornar de uma viagem ao Japão à trabalho, Ricardo Shimosakai levou um tiro, vítima de um sequestro relâmpago, resultando numa lesão medular que lhe tirou os movimentos das pernas.

Ele relata que seu processo de aceitação se iniciou ainda no hospital durante sua recuperação, pois foi onde percebeu que não deixaria esse ocorrido afetar negativamente em sua vida e seus gostos. Ricardo então se apegou em sua paixão pelos esportes e pela viagem e decidiu a partir dali continuar vivendo sua vida como antes. Com o tempo foi percebendo as dificuldades que impossibilitaram práticas acessíveis em destinos turísticos, e notou que seus colegas sofriam das mesmas adversidades que ele.

Desde então Ricardo se dedicou a aperfeiçoar seus conhecimentos técnicos na área de turismo através do curso da Anhembi Morumbi, para que juntamente com seus aprendizados adquiridos através de suas vivências pudesse oferecer serviços de consultoria que abrangem a questão da acessibilidade e inclusão no turismo por uma nova visão no Brasil.

AMPLIANDO O CONCEITO

Para entendermos mais sobre a acessibilidade no turismo brasileiro é importante ampliar nosso conhecimento sobre o que é acessibilidade. Precisamos abrir nosso olhar para o conceito. Quando nós falamos em acessibilidade, grande parte das pessoas imagina que se trata apenas de adaptações feitas em locais públicos para garantir que pessoas com diversos tipos de deficiências sejam incluídas na sociedade. Como por exemplo, as rampas de acesso em calçadas para cadeirantes ou a utilização de dispositivos de voz para deficientes visuais.

Contudo, oferecer acessibilidade para pessoas com deficiência vai além disso, juntamente exige atenção ao planejamento e planos de ações dos prestadores de serviços no turismo. Segundo Ricardo, existem quatro pilares essenciais para a inclusão desse grupo em atividades turísticas.

O primeiro deles diz respeito a estrutura arquitetônica do espaço. Neste podemos identificar como base eliminar as barreiras físicas de um local. Esta acessibilidade abrange adaptações físicas como a instalação de rampas, elevadores e banheiros adaptados, calçadas com piso tátil, etc.

O segundo pilar abrange os equipamentos e acessórios direcionados para pessoas com deficiência disponíveis no espaço. Cadeiras de banho, cardápios em braile, mapa tátil, equipamentos acessíveis para as atividades, entre outros.

O terceiro e um dos mais importantes é o atendimento prestado pelos profissionais que terão contato com as pessoas com deficiência. Implementar um atendimento de excelência é essencial para evitar situações desconfortantes para os turistas. A capacitação de guias para a acessibilidade é importante pois ela é responsável por proporcionar uma experiência agradável para todos os participantes da atividade, seja em ajuda na locomoção para visitantes com mobilidade reduzida, um guia intérprete de libras para deficiências auditivas, orientações específicas para deficientes visuais e entre outras situações.

A comunicação é o último pilar indicado por Ricardo. Ele relata que muitos empreendimentos possuem instrumentos acessíveis em seus atrativos porém não existe a divulgação dos mesmos em suas mídias sociais. A falta de informações disponíveis dificulta a procura da pessoa com deficiência implica diretamente no déficit de acessibilidade em comunicação digital por parte dos prestadores de serviços turísticos, prejudicando a própria empresa em questão.

Esses então são os principais fatores para a qualificação acessível entre empreendimentos e serviços turísticos a fim de proporcionar uma experiência de qualidade em questões adaptáveis para pessoas com deficiência.

CONSCIENTIZAÇÃO

Ainda é aparente o grande desafio que é se obter a inclusão de pessoas com deficiência nos mais diversos espaços sociais. Por muitas vezes é possível perceber situações de preconceito em relação a essa minoria social.

Segundo Ricardo, ainda há um impasse considerável na mídia. Um grande exemplo são os jogos paralímpicos que não recebem a devida divulgação da imprensa. De acordo com ele, os atletas das paralimpíadas recebem mais medalhas do que atletas das olimpíadas tradicionais e mesmo assim há pouca divulgação sobre essas premiações. Até mesmo enquanto as paralimpíadas aconteciam ele sentia dificuldade ao procurar pelo resultado dos jogos, reforçando a pouca atenção dada a questões sociais como estas.

Contudo, desde o início de sua carreira, Ricardo relata perceber alterações nos padrões durante esses anos. A responsabilidade social cresceu e a necessidade da inclusão das pessoas com deficiência a fim de diminuir o preconceito vem se tornando mais presente com o passar do tempo.

Questões sobre diversidade hoje são pautas relevantes para garantir que as pessoas tenham o poder de serem quem elas são e que haja valorização das perspectivas e dos talentos singulares de todos os indivíduos. Um grande exemplo disso é o programa Reprograma CVC que vem apresentando iniciativas em prol à sustentabilidade e inclusão da diversidade em seu ambiente corporativo.

A inclusão é instrumento base para o desenvolvimento da sociedade e é imprescindível saber que ela deve partir do nós mesmos. Isso provém de quando quebramos preconceitos estabelecidos culturalmente em nós, quando questionamos ações equivocadas de pessoas que conhecemos, da aplicação de iniciativas em nosso ambiente de trabalho, na busca do conhecimento e procura de melhora em função de tornar seu entorno mais tolerante. E vai muito além disso, basta ampliar seu olhar e analisar o que poderia ser diferente para que consigamos tornar a aceitação mais presente,

Tornar espaços acessíveis significa promover um serviço aprimorado para o público geral, uma vez que fornecer iniciativas em prol da inclusão de PcD ‘s demonstra interesse em causas sociais e atenção na segurança de seus turistas. Planejar melhor arquiteturas, espaços, equipamentos e materiais implica em obras de melhoria para o bem-estar de todas as pessoas.

Quando observamos atrativos turísticos adaptáveis percebemos a presença de um planejamento bem elaborado que supre todas as necessidades não somente básicas por parte do prestador de serviços, mas como também a preocupação na abrangência de todas as classes sociais. Tudo isso reflete em uma percepção transparente de segurança por parte do empreendimento.

INDICAÇÕES

Ricardo indica duas localidades como grandes referências que possuem um olhar para a acessibilidade no turismo. A Alemanha é um exemplo em iniciativas no turismo adaptável e como referência da acessibilidade no turismo brasileiro, São Paulo se destaca como um bom destino para o turismo acessível.

Fonte: Férias Vivas

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