Cadeira motorizada rodando em falso. Escapando de armadilhas da acessibilidade.

Man climbs CN Tower steps in wheelchair

Escrito por Ricardo Shimosakai

15 de dezembro de 2021

Cadeira motorizada rodando em falso. Dependendo da situação, a cadeira motorizada pode ficar travada. Para entender melhor, vamos primeiro conhecer a estrutura desse equipamento. Lembrando que existem diferentes modelos de cadeira motorizada, então o comportamento delas podem ser diferentes, mas a maioria possui um design parecido.

Existe um acessório chamado de anti-tombo, que são pequenas rodinhas colocadas na parte de trás da cadeira de rodas, para evitar que ela tombe para trás. São usadas também para cadeiras manuais, inclusive bastante utilizadas em cadeiras de rodas esportivas, como aquelas usadas por atletas de basquete. Nas cadeiras motorizadas, por segurança, praticamente todas vem com anti-tombo de fábrica.

A cadeira tomba quando a roda da frente fica num plano mais elevado do que a roda de trás, então no limite desse ângulo, é que as rodas anti-tombo tocam o chão para evitar a queda. Outro detalhe da estrutura de uma cadeira motorizada, é que a tração é feita pelas rodas traseiras, Na verdade, as rodas do meio, já que mais atrás ficam as rodas anti-tombo.

Se a cadeira motorizada avançar num piso irregular, e a roda do meio onde tem a tração, ficar num nível mais baixo do que as rodas dianteiras e as rodas anti-tombo, ela ficará suspensa sem condições de se movimentar. Imagine se isso acontecer e não tiver ninguém pra ajudar?

No caso mostrado no vídeo, na Fábrica de Artes Marcos Amaro em Itú, a rampa foi colocada para vencer um degrau de entrada, na verdade um pequeno murinho, por isso foi rampada de ambos os lados. A inclinação da rampa não era grande, mas no lado externo, o piso já vinha numa descida de encontro à rampa, o que aumentava o ângulo entre o piso e a rampa. Esse detalhe fez a diferença para criar uma dificuldade. Dá para perceber que o ângulo da rampa é praticamente o mesmo dos dois lados, mas na parte interna o piso não tem inclinação, então não apresentava dificuldade.

Adotei uma estratégia para vencer planos muito inclinados, que uso também em qualquer subida ou descida íngreme. Mas antes, quero deixar claro que acessibilidade não é arrumar jeitos para sanar um problema, e que o local deve ser arrumado para que esse tipo de incidente não aconteça para ninguém, pois a outra pessoa pode não ter a mesma experiência que eu.

Para aliviar uma inclinação muito forte, ao invés de subir reto, eu faço um percurso na diagonal, pois dessa forma, o trajeto fica um pouco mais comprido, e ao mesmo tempo menos inclinado. É claro que o local não se transforma, mas é uma maneira diferente de você ter a mesma experiência.

As normas de arquitetura utilizam a cadeira de rodas manual como referência, porém a cadeira motorizada tem um design diferente, com funcionalidades diferentes. A forma como elas manobram, o espaço que ocupam e o jeito de conduzir são diferentes, por isso, aquilo que foi projetado para uma cadeira de rodas manual, pode não servir exatamente para uma cadeira motorizada. Lembrando que além disso, existem as scooters, que são uma outra variação de cadeira motorizada, parecido com um carrinho, e onde apresentam outras características diferentes.

Para as pessoas com deficiência que querem uma cadeira motorizada, minha dica é testar o equipamento por um bom período antes de comprá-la, para ter certeza de que o equipamento atende às suas necessidades. Manual ou motorizada, a cadeira de rodas terá vantagens e desvantagens, e é preciso ter sua própria opinião sobre esses pontos. E a dica para profissionais que queiram entender melhor sobre acessibilidade e pessoas com deficiência, a dica é alugar uma cadeira de rodas, manual e motorizada, e experimentar o maior número de situações possível.

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