Escolhendo alimento às cegas. Como selecionar produtos sem conseguir enxergar?

Man climbs CN Tower steps in wheelchair

Escrito por Ricardo Shimosakai

16 de junho de 2021

Escolhendo alimento às cegas. Pessoas cegas precisam se adaptar a várias situações, principalmente à quelas em que dificilmente existem recursos que podem auxiliá-la. Um lugar como o supermercado, que é o principal lugar quando se pensa em comprar alimentos, oferece inúmeras dificuldades para quem não enxerga, ou também possui baixa visão.

Os alimentos industrializados, possuem algumas facilidades, pois possuem embalagens e medidas específicas. A grande maioria não possui Braille, seja na embalagem ou na prateleira do supermercado, mas existem aplicativos que podem descrever a embalagem. O próprio código de barras, poderia ser adaptado para além de ver o preço do produto, também trazer de forma opcional, as informações básicas como nome, peso, ingredientes e validade. Como geralmente não é possível ver o produto em si, escondido pela embalagem, não há muito mais o que se fazer.

Mas quando vamos para o setor de frutas, legumes e verduras, onde o comprador seleciona os melhores produtos, daí as desvantagens começam a ficar mais acentuadas. A aparência visual é um dos principais fatores para escolher um bom alimento. Muitas frutas, para saber se estão maduras ou não, a escolha é feita pela cor, tanto é que falamos que a banana está verde, e não que ela não está madura.

Alguns alimentos possuem outros recursos para avaliar sua qualidade. O abacaxi, por exemplo, também podemos avaliar pelo cheiro, pois os mais maduros exalam um cheiro mais doce; apertando para ver a consistência, pois se ele estiver duro, é porque ainda não está maduro; puxar a folha da coroa, pois abacaxis maduros, as folhas soltam com facilidade. Cada alimento tem suas características, e para aprender a escolher um alimento às cegas, é preciso estudar seu comportamento.

Há alimentos desses gêneros, que já vem pré-selecionados e geralmente emalados em sacos plásticos, potes ou bandejas. É algo mais prático, pois a parte mais difícil que é escolher, já foi feita, só que esses alimentos que têm um tratamento diferenciado, também podem ter um preço maior.

Ainda há outros alimentos, que são embalados com um material transparente de forma que o consumidor possa enxergá-los, como por exemplo, os potes de vidro onde vão palmitos e geleias, embalagens à vácuo, característicos de queijos e salames, ou sacos plásticos usados para o pão de forma.

Para os frios, carnes, peixes e aves, além dos produtos embalados, vários supermercados oferecem um setor de atendimento personalizado, a padaria e o açougue. Ali o funcionário pode ajudar na melhor escolha, entre qualidade, quantidade e preço. O atendimento personalizado também é característica das feiras livres, onde geralmente o preço é melhor, mas o que atrapalha, é acontecer somente em datas e horários específicos, e no meio da rua que às vezes não oferece uma boa acessibilidade.

Os alimentos industrializados, já são facilmente comprados pela internet, onde o ambiente virtual pode ser mais acessível, desde que o site do estabelecimento siga as regras de acessibilidade digital. Depois de comprado, pode escolher entre entrega à domicílio, ou retirada no local. Também já existe um serviço, onde você manda a lista dos produtos que quer comprar, e uma pessoa se encarrega de fazer as melhores escolhas, o que possibilita também comprar os alimentos que necessitam de uma escolha mais criteriosa, como as frutas, verduras e legumes.

Se você enxerga, eu te proponho para que um dia você faça uma experiência real, do que é escolher os alimentos às cegas, e eu te garanto que você vai se surpreender, em perceber como a acessibilidade para pessoas com deficiência visual praticamente não existe.

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