Foto com moldura de bonecos. A acessibilidade deve ser uma boa lembrança.

Man climbs CN Tower steps in wheelchair

Escrito por Ricardo Shimosakai

22 de dezembro de 2021

Foto com moldura de bonecos. Sabe aquelas molduras de bonecos e personagens, onde tem um espaço para você botar o rosto e automaticamente se fantasiar? Geralmente estão em locais de diversão, e servem pra gente tirar uma foto de lembrança divertida, e mostrar aos amigos e postar nas redes sociais. Mas e como fica a acessibilidade?

Diferentes tipos de pessoas, com idades e tamanhos variados, querem tirar a foto nessa atração. Então o certo, é fazer bonecos que consigam atender a todos. Como isso atrai muito as crianças, em alguns lugares tem um degrau ou banquinho, para que os pais não precisem ficar carregando a criança para encaixar na altura, quando o boneco é mais alto que ela. Pessoas com nanismo ou em cadeira de rodas, acabam tendo uma baixa estatura também.

Seria ótimo ter algo seguindo o conceito do Desenho Universal, e isso até é possível, com um boneco que regulasse a altura para diversos tamanhos. Mas não é exatamente viável e funcional, pois dependendo da sua estrutura, principalmente se for automatizada, o custo poderá ser alto. E equipamentos articulados, se estiverem em um local público como praças, ou se não tiver alguém para vigiar e orientar, infelizmente o uso inadequado por parte dos usuários, acaba enguiçando e até quebrando a atração. Por isso, bonecos simples, geralmente são mais indicados, porém a simplicidade não elimina a necessidade da acessibilidade.

Além da altura, existe a necessidade da aproximação, principalmente para usuários de cadeira de rodas. Como a aproximação é frontal, o apoio dos pés chega antes do tronco, assim a cabeça fica longe da posição. Reparem na foto abaixo, onde no boneco na Praça dos Exageros em Itú, para me posicionar, primeiro tive que pedir ajuda para retirar uma pedra que estava sendo usada como degrau, e que está no chão à direita do boneco. A idéia é você encaixar a cabeça, na gola da camisa do boneco, que serve como um apoio, mas para mim isso não era possível, devido à falta de aproximação. Então tive que me erguer esticando meus próprios braços, pois o local onde deveria estar minha cabeça era alto, e pedi para a fotógrafa buscar um ângulo onde minha cabeça ficaria encaixada, numa ilusão de ótica. Mas dá para perceber que eu estou afastado.

Foto com moldura de bonecos. Ricardo Shimosakai está atrás de uma moldura de boneco, com traje de operário, com macacão vermelho e camiseta e sapatos amarelos.
Na primeira foto, outro dificultador, é que as molduras de bonecos estão em um patamar, como se fosse um palco, mas sem um acesso através de rampas. A função desse palco, deve ser para servir como base para fixar as molduras no chão, já que elas são como folhas de madeira pintadas, e não tem uma base de sustentação.

Acredito que a melhor maneira de resolver esse problema, é fazer bonecos diferentes. A maioria deles são figuras de pessoas em pé, com o tronco reto, e com isso o lugar de colocar a cabeça fica bem alto. Então por que não fazer uma pessoa sentada, com o tronco inclinado, alguma forma onde uma pessoa baixa consiga encaixar a cabeça facilmente? Abaixar a cabeça é bem mais fácil do que levantá-la. Com um apoio, eu consigo inclinar meu tronco e abaixar a cabeça.

Imagine uma boneca com uma saia grande, onde exatamente o espaço da saia, é onde terá o espaço de aproximação. Ou variar ainda mais, e ter um boneco num carrinho ou num cenário, pensando novamente no espaço de aproximação. A temática da primeira foto, é uma proposta medieval, então poderia ter uma carruagem com um boneco sentado, e o espaço da carruagem seria o espaço de aproximação.

Há muitas formas, depende da criatividade de quem for elaborar a proposta. Como geralmente são personagens lúdicos, é possível soltar a imaginação, e sair do padrão, afinal, não há padrão para pessoas. É tudo uma questão de planejamento, de quando se pensa no projeto, e incluir a acessibilidade. Imagine quantas crianças ou mesmo adultos podem não ter saído desses lugares, no mínimo desapontados? A maneira de pensar na solução, de uma forma aberta, é a Acessibilidade Funcional, conceito que elaborei e que sempre enfatizo através de exemplos reais, pois é na prática que ela se baseia.

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