Caso de sucesso

Parque Beto Carrero World

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Parque Beto Carrero World

Inaugurado em 1991, na cidade de Penha, Santa Catarina, o parque foi desenvolvido em uma área de 14 milhões de metros quadrados. O Beto Carrero World gerou milhões em investimentos e incentivou o desenvolvimento econômico de toda a região.

O empreendimento figura entre os melhores parques de diversões do mundo e é considerado o primeiro da América do Sul, de acordo com a TripAdvisor, recebendo 2,2 milhões de visitantes em 2019. São mais de 100 atrações distribuídas em nove áreas temáticas, parcerias internacionais com a DreamWorks Animation e a Mattel, através da Hot Wheels.

Desafios

  • rAdequar a informação, de modo que todos saibam das oportunidades e restrições que o parque oferece
  • rAdaptar os brinquedos de forma que seja acessível e ao mesmo tempo sigam as normas de segurança
    • rCapacitar os funcionários para um atendimento inclusivo e funcional para diferentes tipos de público
    • rTrabalhar a acessibilidade e inclusão em estabelecimentos e serviços não são pertencentes ao parque, mas que influenciam na experiência do visitante

    Soluções

    • RVisita técnica ao parque como cliente oculto, na alta temporada, passando em todos os locais para avaliar a realidade das instalações e atendimento
    • RAnálise segmentada da acessibilidade e inclusão dos diferentes setores do parque, entre brinquedos, espetáculos, exposições, alimentação e serviços
    • RAvaliação da acessibilidade no entorno, como aeroporto, transporte, hotéis e restaurantes, que tem influência indireta para fazer uma adequação completa
    • RElaboração de um guia, com todas as informações relacionadas à acessibilidade
    • RCapacitação dos funcionários de todas as áreas, para lidar com o visitante com necessidades específicas
      • ROrientações para a adequação dos brinquedos atuais, e para aquisição de novos brinquedos já com acessibilidade
      • ROrientações de marketing e campanhas promocionais para atrair o público com necessidades específicas e valorizar as ações para a sociedade em geral
      • RReposicionamentos dos blocos de mesas e cadeiras da área de alimentação, para dar condições de aproximação de visitantes em cadeira de rodas e pais com carrinhos de bebê
      • RImplantação de banheiros acessíveis exclusivos, unissex e com trocadores de bebês
      • RPlanejamento para entrada e posicionamento de espectadores com necessidades específicas nos teatros, cinemas e auditórios
      O Beto Carrero World é um dos principais patrocinadores dos eventos turísticos, então eu sempre visitava os estandes de exposição para reforçar a necessidade de ser um parque acessível e inclusivo. Sempre fui bem recebido e compreendido, até que finalmente oficializamos a realização de um projeto para implantar a acessibilidade de forma profissional.

      Como o parque possui brinquedos e características muito particulares, coloquei a importância de fazer uma visita técnica para conhecer de perto o que o local oferecia. Além disso, também a importância de um bom atendimento, então seria importante a capacitação de todos os funcionários, pois direta ou indiretamente, eles teriam algum contato com o público com deficiência, mobilidade reduzida e as questões de acessibilidade.

      Escolhi uma data de alta temporada, justamente para conhecer as operações em uma época mais difícil, onde alguns problemas e dificuldades aparecem, que não ocorreriam em uma época mais tranquila. E a proposta foi visitar como um cliente oculto, para que eu fosse tratado como um visitante comum, e não como alguém que estava fazendo uma vistoria.

      Porém, a capacitação dos funcionários não seria possível na mesma data da visita técnica, pois na alta temporada os funcionários não teriam disponibilidade para passar por um treinamento. Então a capacitação foi agendada para uma outra data, na baixa temporada, onde inclusive o parque não abre todos os dias ao público, mas funciona para fazer manutenções e receber outras atividades internas.

      Eu fiz toda a jornada de um turista, inclusive avaliando a estrutura turística da cidade de Penha e região, uma vez que a cidade praticamente funciona em função do parque. Então o aeroporto, hotel, restaurantes e mobilidade também foram avaliados como coadjuvantes.

      Antes de entrar, fiz questão de olhar a área de estacionamento, para verificar as vagas de estacionamento reservadas, e o trajeto até a entrada. Como há um funcionário permanente para organizar a logística do estacionamento, este também pode controlar as vagas reservadas, e ajudar ao passageiro caso tenha necessidade. Importante um treinamento para auxiliar a montar a cadeira de rodas, na transferência do carro para a cadeira de rodas, e para guiar visitantes cegos.

      Para a entrada no parque, bilheterias acessíveis com atendimento preferencial, e uma entrada diferenciada, para evitar as filas, e com um tamanho maior, para dar passagens a cadeira de rodas e carrinhos de bebês. Logo depois da entrada, existe uma base onde você pode pegar emprestado cadeiras de rodas manuais, ou alugar carrinhos motorizados (scooters) para ter maior facilidade em circular por todo o parque que é enorme. Apontei as necessidades de verificar a acessibilidade para as scooters, pois tem características diferentes de uma cadeira manual.

      Uma das dificuldades encontradas, foi a acessibilidade em alguns brinquedos importados, pois nestes havia em cláusulas do contrato, que se qualquer coisa fosse modificada, o cliente perderia a garantia e o fornecedor não se responsabilizaria por qualquer problema. As instruções ficaram para quando forem adquirir novos brinquedos, levarem em conta a questão da acessibilidade. E nestes brinquedos onde a modificação não seria possível, foi pensado em adaptações onde a estrutura não fosse alterada, além de questões operacionais que facilitariam o uso por diferentes tipos de pessoa.
      Todos os brinquedos possuem acesso, alguns deles são pela saída, que geralmente possuem rampas. Então a operação é diferente, e para isso uma sinalização informando onde está e como utilizar esta entrada alternativa, além do atendimento que também precisa ser de forma diferenciada, colocando prioridades.

      Dependendo do brinquedo e da habilidade do visitante, é possível que ele consiga entrar sozinho. Em alguns brinquedos eu consegui fazer a transferência sozinho, mas em outros eu precisei de ajuda. Tanto aqui, como em parques internacionais, não está indicado que os funcionários auxiliem em procedimentos complexos, ficando isso como tarefa do acompanhante. Pois as necessidades são diversas, muitas vezes precisando conhecer bem a pessoa, pois algo diferente pode dar errado. Uma questão de segurança. Mas também há brinquedos totalmente acessíveis, onde é possível entrar com a cadeira de rodas, e sem ajuda.

      Destaquei que a informação era um dos itens mais importantes para se atualizar. Como o local possui restrições, estas deveriam estar no site da empresa, para que o visitante possa ter um esclarecimento do que vai poder fazer. Isso também elimina problemas de eventuais questionamentos, pois a empresa teve o cuidado de deixar a informação disponível. Informações detalhadas são importantes, pois há diferentes casos, como por exemplo, é necessária uma altura mínima para brincar em certas atrações, de acordo com a orientação do fabricante.

      A praça de alimentação é enorme, com diversos tipos de restaurante, dentro de uma estrutura com aparência de um circo. A principal orientação que passei, foi em relação às mesas. Na verdade, são blocos de mesa e 3 cadeiras fixas, 2 de cada lado em uma única estrutura. Havia uma maneira para dar espaço às cadeiras de rodas, que seria dando espaço nas pontas, onde não há cadeiras. Porém, a forma como esses blocos estavam organizados, não deixava espaço suficiente para a aproximação.

      Sugeri a mudança do layout das mesas, principalmente daquelas que ficavam nos corredores principais, onde há mais espaço, deixando as pontas das mesas voltados para o corredor. Essa mudança já foi implantada, pois apesar de serem blocos fixos de mesa e cadeiras, eles não estavam fixados no piso, e podiam ser movidos. A mudança agradou cadeirantes e pais com carrinhos de bebês, que elogiaram o parque.

      Outro ponto bastante importante são os banheiros acessíveis. Para uma visitação no parque, é preciso ficar no mínimo um dia inteiro, apesar que o ideal seja 3 dias. Então inevitavelmente o visitante irá precisar de um banheiro. Orientei para que os banheiros acessíveis estejam espalhados em diversos pontos do parque e sinalizados para que sejam fáceis de encontrar.

      Mostrei a importância de banheiros exclusivos unissex, pois alguns visitantes têm a necessidade de um acompanhante ou cuidador para utilizar o banheiro, e com isso os banheiros acessíveis que ficam dentro dos banheiros coletivos, trazer uma dificuldade, quando o visitante e o acompanhante são de sexo diferentes. Esses espaços maiores e unissex também podem ser adaptados como trocadores ou banheiros familiares.

      Em locais de show e apresentações, além do acesso ao local, mostrei que é preciso ter lugares reservados e espaços para cadeira de rodas e seus acompanhantes. Estes lugares, também precisam ter uma boa visualização do palco ou da tela, sem que o espectador precise fazer grandes esforços para assistir, pois alguns não tem movimentos para buscar um melhor ângulo de visão.

      Reforcei a importância de um bom marketing, procurando passar a imagem de um parque acessível e inclusivo. Isso pode muito bem estar em todos os materiais promocionais direcionados ao público e aos parceiros. Fazer publicações nas redes sociais, inserir uma pessoa com deficiência nos vídeos institucionais e nos materiais impressos.

      Uma coisa em que o parque leva vantagem, é funcionar praticamente de forma independente. Possui um bastidor enorme, com oficinas para manutenção e criação de materiais, com funcionários próprios. Isso facilita bastante na execução das tarefas.

      O Parque Beto Carrero World participa de ações oficiais do Dia Internacional da Pessoa Com Deficiência (celebrado oficialmente em 3 de dezembro), proposto pelo Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas (SINDEPAT), além de ações como o Dia da Apae e o Dia da Alegria, quando o Parque recebe gratuitamente estudantes de escolas públicas e instituições sem fins lucrativos.

      É importante que o parque também seja acessível para pessoas com deficiência visual e auditiva. Nos brinquedos, isso é relativamente fácil, pois as barreiras físicas não são um impedimento. É na comunicação onde a acessibilidade para surdos e cegos deve estar presente. Então implantar recursos de audiodescrição e Libras nos shows e apresentações, e materiais táteis nos restaurantes e exposições.

      Toda a visita como cliente oculto, foi gravada em vídeo por mim. Nos vídeos eu ia comentando o que deveria ser feito, então produzi praticamente um relatório audiovisual, o que ajuda muito na compreensão, pois estou mostrando e falando. Depois também passei um relatório escrito complementar aos vídeos, para orientações das ações a serem tomadas, juntamente com normas e leis.

      A implantação das orientações passadas, estão sendo feitas em etapas, para poder encaixar na logística do parque. Vários procedimentos já foram adotados, alguns requerem um prazo maior. Foi importante mostrar para a diretoria do parque, a maneira de se pensar de modo acessível e inclusivo, para que as escolhas futuras sejam feitas de modo adequado, sem a necessidade de fazer adaptações posteriores.

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