Trator para deficientes. A indústria de máquinas agrícolas e a proposta de um produto inovador.

Man climbs CN Tower steps in wheelchair

Escrito por Ricardo Shimosakai

07/24/2020

Mais de cinco milhões de estabelecimentos rurais. 351 milhões de hectares cultivados.  45 mil tratores vendidos no ano passado. Pelo menos 10 fabricantes, em grande parte de capital estrangeiro e centenas de fabricantes nacionais. Apenas uma iniciativa de inovação em termos de acessibilidade.

Este é o raio-X da agricultura brasileira em termos de importância econômica e de volume de maquinário  à campo. E é por isso que inclusão do trator conceito New Holland  TL5.80  entre os finalistas do Prêmio Rei 2020 merece um post aqui.

É inegável que uma pessoa que nasce com uma deficiência física no meio rural terá pouquíssimas possibilidades de trabalho. Da mesma forma, um trabalhador agrícola que sofre um acidente que retira parte ou toda a sua mobilidade está condenado a trocar de área ou se aposentar, muitas vezes no auge da sua capacidade produtiva.

Afinal, é fato: o que hoje não é feito em cima de uma máquina na agricultura? A evolução tecnológica da mecanização agrícola cresce tanto, que não é mais viável produzir sem máquinas. Junto com a tecnologia em sementes, fertilizantes, defensivos, o maquinário se tornou um insumo fundamental em tempos de agricultura em larga escala.

Foto composta. Na esquerda homem cadeirante faz sinal de positivo, junto ao trator adaptado. Na esquerda, outra imagem do mesmo trator, com a parte do elevador ampliada.
A inovação proposta pela New Holland, uma das maiores fabricantes de máquinas agrícolas do Brasil começou a se tornar real a partir do desenvolvimento de uma nova matriz tecnológica de acessibilidade da brasileira Elevittá.

Foi somente a partir da tecnologia DPM- Dispositivo Poltrona Móvel, a princípio desenvolvida para o transporte coletivo, que o projeto se tornou viável.

O DPM é um sistema inovador porque representa um salto de qualidade em relação à tecnologia existente e pode facilmente ser instalado em máquinas agrícolas.

O que era impossível de fazer com as plataformas, que são fixas e que ocupam muito espaço, foi naturalmente adaptado à máquina agrícola, garantindo total autonomia para o operador com deficiência física. Com isso, ganham milhares de trabalhadores deficientes do Brasil rural, que tem as mesmas ou maiores restrições dos 45 milhões de brasileiros com dificuldade para se deslocar e que, muitas vezes são empurrados para um retiro forçado.

Os avanços tecnológicos têm permitido mais autonomia aos deficientes físicos e, consequentemente, uma participação mais ativa no mercado de trabalho e na vida social. A integração social e profissional das pessoas com deficiência representa uma grande conquista: o resgate da cidadania desses indivíduos.

Foto do trator adaptado em uma exposição. Na frente, posando para uma foto, homem cadeirante e ao lado um outro homem de pé.
O trator conceito da New Holland é uma iniciativa importante porque vem ao encontro das novas tendências mundiais relacionadas à capacitação e à inclusão das pessoas com deficiência na vida social. A tecnologia Elevittá se consolida porque se propõe a criar ações conta a discriminação e a favor da inclusão.

Há, também, a Legislação brasileira que obriga cada vez mais empresas a possuírem um número mínimo de pessoas portadoras de deficiência. Tudo isso somado à quebra desta barreira no importante mercado de trabalho agrícola, pode resultar na presença crescente de pessoas com deficiência tanto nos espaços públicos quanto no ambiente produtivo.

Quem visitou a Expo Direto, em Não-Me-Toque, no RS e a Coopavel, em Cascavel, no Paraná, teve a oportunidade de conhecer o TL 5.80. Agora, esta iniciativa pode ser a vencedora do Prêmio Rei 2020 na categoria Máquinas Agrícolas e de Construção. O voto é aberto ao público.

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