Turismo acessível e a pandemia. Novos procedimentos para pessoas com necessidades específicas.

Man climbs CN Tower steps in wheelchair

Escrito por Ricardo Shimosakai

11/25/2020

Durante a pandemia muitos vôos foram cancelados, mas no último mês o número de vôos vem crescendo. A recomendação é para que só saia se realmente for necessário. Pensando nos novos hábitos e na questão da acessibilidade, é que Mylena Rodrigues (@mynspira) e Ricardo Shimosakai (@ricardoshimosakai) colocam nesse texto as suas percepções.

O que as companhias aéreas estão fazendo no check in é manter ele online, muitos passageiros optam por isso, já que assim evitam filas. A Latam, por exemplo, tem implantado inclusive um atendimento por videoconferência. 

“Eu fiz o meu check in online, usando meu celular, mas como precisei de atendimento para que me auxiliassem na locomoção pelo aeroporto, fui até o atendimento presencial, e lá foram colocados escudos de acrílico para separar os funcionários dos passageiros.” (Mylena Rodrigues)

Em alguns lugares tem marcação de distanciamento nas filas e o uso de máscaras para todos é obrigatório. O uso de luvas também é uma opção, principalmente para os funcionários. 

Como medida de segurança para a pandemia, foi criada uma lei tornando obrigatório o uso de máscaras em todo o país, porém esta será dispensada no caso de pessoas com transtorno do espectro autista, com deficiência intelectual, com deficiências sensoriais ou com quaisquer outras deficiências que as impeçam de fazer o uso adequado de máscara de proteção facial, conforme declaração médica, que poderá ser obtida por meio digital, bem como no caso de crianças com menos de 3 (três) anos de idade.

“As máscaras geralmente são opacas, e não permitem a visualização da boca. Isso é muito ruim para surdos, pois muitos se utilizam da leitura labial. Já vi iniciativas de produzirem máscaras com uma abertura transparente, mas isso ainda atrapalha um pouco além de embaçar com o calor e saliva.” (Ricardo Shimosakai)

Pessoas com deficiência e idosos podem necessitar de um apoio constante, como, por exemplo, empurrar a cadeira de rodas ou alguém para guiar uma pessoa com deficiência visual, então dessa maneira pode não ser possível cumprir com as normas de distanciamento.

“No meu caso, que sou pessoa com deficiência visual, o funcionário que me conduziu pelo aeroporto perguntou se eu queria ser guiada pegando no braço dele ou andando ao seu lado. Na ida optei por andar ao lado da funcionária, sem encostar nela. Claro que se torna um pouco mais difícil, porém ela soube me guiar usando a voz, comunicando obstáculos e observando meu deslocamento. Na volta optei por segurar na funcionária, e observei que ela estava o tempo todo com álcool em gel perto dela. Ou seja, fazendo a higienização necessária.”  (Mylena Rodrigues).

Mylena Rodrigues caminha pelo Aeroporto de Guarulhos, acompanhado de duas mulheres que estão prestando assistência. Mylena segura no braço de uma delas para ser conduzida.
Mesmo com a higienização, o contato existe, e isso pode ser um facilitador para a contaminação, pois em tempos de distanciamento social é um risco ter contato com outras pessoas, principalmente se levarmos em consideração o fato de que os funcionários recebem muitas pessoas no decorrer de seus horários de trabalho. A primeira experiência com a funcionária guiando por voz pode ser uma ótima opção, porém o tempo de locomoção pode ser maior e o treinamento dos funcionários para que consigam fazer isso deve ser diferente do treinamento que já recebem. Afinal, isso é uma nova possibilidade, é a criação de novos hábitos e conceitos.

Para o embarque, as companhias aéreas fizeram marcações de distanciamento. “Como meu embarque é prioritário, não esperei muito, só observei uma pequena fila na ida, sendo que os funcionários solicitaram o distanciamento algumas vezes, já que as pessoas não estavam mantendo a ordem.” (Mylena Rodrigues)

Ainda não existe obrigatoriedade de medir a temperatura dos passageiros. Outra questão que surge como dúvida é se os passageiros podem levar álcool em gel. E sim, podem. Desde que a embalagem não passe de 500 ml (e 100 ml em vôos internacionais). O álcool, que muitos conhecem como 70%, não pode ser levado, e se algum passageiro estiver com ele, tem que descartar.

“Em viagens aéreas, a cadeira de rodas é despachada como bagagem, depois que é feita a transferência do passageiro para a poltrona do avião. Então nesse processo, ela acaba sendo manipulada por várias pessoas, e isso pode ser uma via de contaminação. O ideal seria higienizar a cadeira de rodas antes do passageiro retornar à ela.” (Ricardo Shimosakai)

Durante o vôo é obrigatório o uso de máscaras, sendo que o serviço de bordo (onde algumas companhias aéreas oferecem bebidas e alimentos) não está funcionando. Mas, para quem precisa de água, por exemplo, é atendido pelos funcionários. A Latam é a única companhia aérea brasileira que manteve o seu serviço de bordo como de costume e, por isso, permite que os passageiros retire a máscara temporariamente na hora de comer. A todo o momento eles pedem para que se a pessoa for fazer a troca da máscara que seja em um lugar adequado para isso, e de forma correta, descartando e colocando outra. Ao final do vôo as companhias aéreas que não manteve o serviço de bordo, disponibilizam o mesmo para que os passageiros levem.

 

Ricardo Shimosakais está de frente à um balcão de check-in acessível para pessoas com deficiência no Aeroporto de Guarulhos
Quanto à higienização das poltronas e o distanciamento dentro da aeronave, existem algumas questões: segundo as companhias aéreas a higienização está sendo feita seguindo as regras de limpeza estabelecidas e com mais cuidado do que antes, assim não é necessário que os passageiros façam a límpida das suas poltronas.

“Quanto ao distanciamento, tanto a minha ida, quanto a minha volta não tinha passageiro na poltrona do meio, mas isso não é uma obrigatoriedade, pode ser que tenha sim.” (Mylena Rodrigues) Outra coisa que as companhias aéreas estão reforçando, é que o ar dentro das aeronaves é renovado, diminuindo assim o risco de contaminação.

No desembarque, onde antes as pessoas aguardavam em pé, agora é solicitado que aguardem sentados, sendo o desembarque realizado por fileiras, de forma organizada e orientada por um funcionário. Pode ser que essa prática seja uma boa solução para pessoas que necessitam de um atendimento específico, já que algumas vezes, essas pessoas eram esquecidas dentro da aeronave (relato de viajantes), pois geralmente, são os últimos a serem desembarcados.

No que se refere ao uso do banheiro durante o voo, nenhuma das companhias aéreas nacionais estão restringindo seu uso. Porém, sabemos que o banheiro é um local de alto risco de contaminação, principalmente se pensarmos em pessoas com deficiência visual que usam muito o tato para identificar objetos e reconhecerem locais. Sendo assim, é de extrema importância a higienização das mãos.

“Em vôo nacionais, também chamados de domésticos, o banheiro da aeronave não possui acessibilidade para pessoas com deficiência física, principalmente aos usuários de cadeira de rodas. Então a única saída é se preparar para conseguir suportar todo o tempo de viagem sem ir ao banheiro. A dica é ir ao banheiro do aeroporto, minutos antes do embarque.” (Ricardo Shimosakai)

Nos aeroportos as lojas estão funcionando, até onde me informei, em horários reduzidos e medidas de segurança.

Em suma, é muito importante ressaltar que ainda estamos em um período de riscos e de descobertas sobre o vírus, assim, viagens devem ser feitas só se realmente for necessário e tomando todos os cuidados recomendados, como manter o distanciamento social, lavar bem as mãos, levar álcool em gel e usar máscara.

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Seus comentários são bem-vindos!

2 Comentários

  1. Janaína Pinange

    Muito boa a matéria! Deu vontade de viajar KKK! Parabéns pelo trabalho.

    Responder
    • Ricardo Shimosakai

      Não fique só na vontade. Um bom planejamento, faz até as viagens mais difíceis se realizarem.

      Responder

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